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RêVivendo o Muro de Berlim

Renata Campos | 16.9.15 |
Tour sobre a Guerra Fria

Vamos combinar que Berlim não é lá uma cidade das mais maravilhosas, mas em termos de história, ahhh aí ela é imbatível! Não sei vocês, mas eu sempre tive vontade de conhecer Berlim muito mais por sua história recente do que pela cidade em si!! Queria muito ver de perto tudo o que eu tinha estudado nos livros de história do colégio, visto nos filmes e lido nos vários livros que devorei durante os últimos anos! A história da 1ª e 2ª Guerras Mundiais e também da Guerra Fria sempre me fascinou, culpa de um professor de história oooootimo que eu tive lá no 9° ano (antiga 8ª série) do colégio. Lembro que foi nessa época, com 14/15 anos, que li meu primeiro livro sobre o assunto: o Diário de Anne Frank. Logo em seguida vieram A Lista de Schindler e Mauz e outros tantos que já nem lembro mais. 

Mas o que sempre me fascinou mesmo foi a Guerra Fria, e o muro de Berlim em especial. Eu achava (e ainda acho) tudo muito surreal! Confesso, que nunca consegui entender muito bem o tal do Muro de Berlim! Gente, como assim construíram um muro dividindo uma cidade?? E como assim isso durou quase 40 anos?

Eu era criança quando o Muro caiu, lembro vagamente das notícias na tv. Ficava imaginando porque eles simplesmente não pulavam o Muro e pronto? Ou melhor, porque eles não derrubaram o Muro antes, como tinham acabado de fazer? Eu achava que era só um muro e pronto! Hoje sei que existe muuuuita coisa por trás disso E que a história é muito mais complexa do que eu imaginava quando criança. Mas ainda continua sendo tudo muito, muito surreal!

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Só pra contextualizar: o Muro de Berlim começou a ser erguido no dia 13 de agosto de 1961. Mas Berlim (e toda Alemanha) já estava dividida em 4 setores desde o fim da Segunda Guerra. Sim, eram 4 setores: americano, soviético, britânico e francês. Mas na prática eram apenas 2 lados: EUA, França e Inglaterra se uniam para formar o lado capitalista, a Alemanha Ocidental ou RFA (República Federal da Alemanha) e a extinta União Soviética ficava com o lado socialista, a Alemanha Oriental ou RDA (República Democrática da Alemanha). Apesar de a cidade já estar dividida há anos, a ideia de construir um muro foi uma tentativa desesperada da RDA de conter a fuga massiva de pessoas do lado oriental para o lado ocidental.

Ao contrário do que muita gente pensa, o Muro de Berlim não dividia a cidade em duas. Na verdade, o Muro foi construído em torno de Berlim Ocidental, que ficou ilhada. Além de impedir a fuga de pessoas para o outro lado, a RDA imaginou que isolando Berlim Ocidental, a cidade iria entrar em colapso, sem recursos. Mas, logicamente, isso não aconteceu! Pelo contrário, os Estados Unidos investiram pesado e Berlim (e toda a Alemanha) Ocidental se tornou uma super potência! Ao contrário do lado socialista que ia ficando cada vez mais atrasado em comparação com o lado capitalista, onde o dinheiro girava. E, apesar de Berlim Ocidental ser uma "ilha" no meio da Alemanha Oriental, de lá era possível pegar um avião para qualquer lugar do mundo. Já na Alemanha Oriental é onde as pessoas realmente estavam "presas" e não podiam sair de lá, salvo raríssimas exceções.

Tour da Guerra Fria
Em Amarelo, os limites do Muro de Berlim construído ao redor de Berlim Ocidental (reparem na divisão em setores americano, britânico e francês que comentei acima).
Os bolinhas vermelhas são os únicos locais de entrada e saída
Foto: Wikimedia Commons

Outra coisa que muita gente não sabe é que não existia apenas um muro, portanto não era assim tão fácil simplesmente pular, como eu imaginava quando criança. Primeiro, porque ele era fortemente vigiado. E segundo, porque na verdade, eram dois muros, um do lado ocidental e outro do lado oriental. Em alguns lugares eles ficam bem próximos um dos outro, mas em outros existia uma área bem grande entre os dois muros, a chamada faixa da morte, que contava com as mais diversas formas de proteção, como valas, tapetes de pregos, rolos de arame farpado, cachorros treinados, além de torres de observação.

Exemplo da estrutura do Muro de Berlim com a "zona da morte" no meio dos dois muros.
Foto: Wikimedia Commons

E, finalmente, no dia 9 de novembro de 1961 o Muro "caiu"! Mas ainda demorou um tempinho pra ele realmente vir ao chão. E, obviamente, não foi assim, do nada, que as pessoas se uniram pra derrubá-lo, existe uma série de fatores e acontecimentos que levaram à queda do Muro!

Eu poderia ficar aqui, horas e horas escrevendo sobre o Muro de Berlim, mas não é essa a ideia! Até porque não sou exatamente uma expert no assunto, apenas me interesso muito por ele! Mas esse post é pra falar sobre um walking tour (tour a pé) excelente sobre a Guerra Fria e o Muro de Berlim que fiz com a Vive Berlin. A empresa faz tours a pé e de bike pelos pontos turísticos de Berlim, mas também oferece tours específicos sobre determinados temas, como esse que eu fiz. Nesse caso, eles são privados.

E o melhor, eles tem guias que falam português! Te falo que isso faz toooooda a diferença já que as informações dadas pelos guias são o ponto alto e o objetivo principal do tour. Eu comentei aqui nesse post, que tive um pouco de dificuldade de entender o complicado inglês australiano da guia do bike tour que eu fiz, também em Berlim. Mas isso não atrapalhou em nada o passeio. Já num tour como esse, deixar de entender 10%, que seja, das informações já ia atrapalhar um pouco!

Nossa guia foi a Luise, uma alemã que fala um português perfeito! Juro que num primeiro momento, apesar da cara de alemã, achei que a Luise fosse brasileira, só depois de uns minutos fui perceber o sotaque. Ela é apaixonada pelo Brasil, já fez intercâmbio aqui e voltou várias outras vezes. É formada em geografia política e sabe muuuuito da história do país. Nosso tour era sobre a Guerra Fria e  Muro de Berlim mas acabamos falando também sobre vários outros momentos da história da Alemanha! Enfim, recebemos uma verdadeira aula prática de história! Muito, muito boa mesmo!

Eu no centro, minha amiga Cíntia do lado esquerdo e nossa guia Luise do lado direito, com o Portão de Brandenburgo ao fundo! 

A Luise nos buscou no nosso hostel e fomos, de metrô, até a Postdamer Platz, onde o tour efetivamente começou. Essa praça foi quase toda destruída durante Segunda Guerra Mundial. Alguns anos depois, os prédios que ali ainda restavam foram demolidos e ela se transformou num grande espaço vazio. Quer dizer, não exatamente vazio porque o Muro de Berlim passava bem ali no meio! Depois que o Muro caiu, a área foi novamente povoada e virou um distrito industrial com prédios modernos. Ali é o coração comercial da cidade, mas ainda guarda algumas lembranças do passado como uma réplica do 1° semáforo de Berlim (e um dos primeiros da Europa). Não deixe de reparar também nas marcações no chão, como a da foto abaixo, mostrando por onde passava o Muro.

Muro de Berlim
Postdamer Platz com destaque para a réplica do 1° semáforo de Berlim.
Muto de Berlim
Marcações no chão mostrando onde o Muro de Berlim passava

Bem próximo dali fica a exposição Topografia do Terror, situada onde era a sede da Gestapo e da temida SS. Ali, foram planejadas todas as atrocidades ocorridas na era Hitler. Além disso, milhares de pessoas foram presas e torturadas no local. A exposição relembra todo esse terror através de fotos, vídeos e documentos. Na parte externa, se encontra um grande pedaço do Muro de Berlim ainda intacto.

Topografia do Terror
Topografia do Terror

De lá fomos para o Checkpoint Charlie, um antigo posto militar que fazia o controle de acesso de pessoas Berlim Oriental para Berlim Ocidental e vice-versa, nos anos em que a cidade estava dividida. No local, atualmente, fica uma réplica da cabine de controle e também a famosa placa "You are leving the american sector" (você está deixando o setor americano), e do outro lado a outra placa, não tão famosa, que é a de quem está entrando no setor americano.

Berlim
Checkpoint Charlie
muro de berlim
Foto de um dos painéis da rua do Checkpoint Charlie

Um pouco mais a frente, ainda na mesma rua, fica o Checkpoint Charlie Museu. Nós não o visitamos nesse tour, porque não daria tempo. Voltei outro dia pra explorá-lo com calma e gostei muito. Apesar de não ser lá dos mais arrumadinhos, bonitos ou interativos, o museu tem muuuuuuuita informação, são muitas fotos e muitos documentos sobre o Muro de Berlim, as tentativas de fuga da Alemanha Oriental e outras várias histórias que aconteceram na época! Ouvi muita gente falando que o museu é chato,ele pode até ser meio cansativo, mas se você gosta mesmo de história, vale a pena! Vá com tempo e preparado pra ler bastante!

Seguimos caminhando e passamos pela Praça da Revolta Popular de 1953, onde fica um mural de 9 metros pintado por 14 artistas em homenagem à revolução. Quase em frente fica o Berlin Mall, fizemos uma paradinha ali pra descansr e tomar alguma coisa e seguimos para o Memorial do Holocausto. Como já o tínhamos visitado no bike tour que fizemos no dia anterior, acabamos passando rapidamente por ele. 

Muro de Berlim
Parte do Mural da Praça da Revolta Popular
Memorial do Holocausto
Memorial do Holocausto

Mas antes, a Luise nos mostrou onde ficava o famoso Führerbunker, o bunker onde Hitler se escondeu nos últimos momentos da sua vida. Atualmente, existe um estacionamento no local e, a não ser por uma única placa na calçada, não existe nenhum referência ao bunker, e a gente passa batido por ali fácil! Não há absolutamente nada pra ver ali, mas se você fizer muita questão, ele fica nas esquinas das ruas Gertrud-Kolmar-Strasse e In den Ministergarten. 

Fuhrerbunker
Localização do Bunker de Hitler

Seguimos para o Portão de Brandenburgo, cartão portal da cidade e um dos grandes ícones da queda do Muro de Berlim. Quem não se lembra das clássicas imagens de uma multidão em cima do muro, com o Portão de Brandenburgo ao fundo?  

Foto do dia da "queda" do Muro de Berlim com a galera em cima do muro e o Portão de Brandenburgo ao fundo. Clássico!
Foto: Wikimedia Commons

De lá, pegamos um metrô para nosso último destino, o Memorial do Muro de Berlim. Esse é um local imperdível! Fica na Bernauer Straße, rua famosa por ter o Muro passando bem no meio dela. Imagina, de repente, você não poder mais atravessar a rua? Ali foi um lugar onde aconteceram casos cinematográficos de tentativas de fuga. Quando o Muro começou a ser erguido, algumas pessoas tentaram fugir pelas janelas de suas casas, algumas por cordas e outras simplesmente se jogaram pro lado de lá, já que as casas ficavam muito próximas ao Muro. Rolou até fuga subterrânea, através de tuneis cavados de um lado ao outro. Algumas fugas deram certo, outras nem tanto. Infelizmente, rolou até morte! Pra tentar impedir isso, a RDA fechou as janelas das casas com cimento!! Depois de um tempo, as casas mais próximas foram demolidas. Casos como esses e muitos outros são contados com fotos e textos em painéis espalhados ao longo do Memorial, que é enorme e divido em setores.

Muro de Berlim
Mapinha do Memorial do Muro de Berlim. Falei que o lugar era grande não falei? 
Vestígios do Muro de Berlim
Muro de Berlim
Fotos diversas em locais diversos do Memorial do Muro de Berlim
Muro de Berlim
Painéis mostrando alguns dos vários casos de tentativa de fuga de Berlim Oriental
Memorial Muro de Berlim
A Capela da Reconciliação do Memorial do Muro de Berlim
Muro de Berlim
Mirante do centro de documentação do Memorial do Muro de Berlim

Finalizamos nosso tour ali. Depois de mais de 5 horas de caminhada, a Luise nos deixou no metrô e fomos embora tentando absorver todas informações e conhecimento que adquirimos nesse tour! Gente, impossível repassar aqui tudo o que aprendemos nesse dia. Só posso dizer que valeu muuuito a pena! Muito mesmo! Deu até vontade de fazer outro tour com a Luise, mas acabou não rolando! Portanto, se você estiver indo pra Berlim, não deixe de fazer um (ou mais) dos vários tours que a Vive Berlin oferece! Garanto que você não vai se arrepender e vai velar cada centavo! Principalmente pra quem curte história!

Muro de Berlim
Mapinha com todos os atrativos que visitamos no walking tour

Além de fazer esse tour maravilhoso, onde você vai aprender muuuuuuito, uma visita ao Checkpoint Charlie Museu, que eu já comentei aqui, é essencial. Além dele, os museus Story of Berlin, DDR Museum e  Alltag in der DDR também são ótimas pedidas! 

Outro lugar imperdível, quando o assunto é o Muro de Berlim, é o East Side Gallery. O lugar não é exatamente para você adquirir conhecimento, como os demais, mas é lá que fica o maior trecho do Muro ainda de pé. E por que vale a pena visitá-lo? Porque são mais de mil metros de Muro todo coberto com graffiti de artistas do mundo todo. É bem legal!

Muro de Berlim
East Side Gallery

Por fim, tem um livro bem interessante que li pouco antes de viajar chamado O Muro de Berlim - Alemanha Pátria Unida. O livro é de dois jornalistas italianos que estavam em Berlim na época da queda do muro. Eles relatam, dia a dia, todas as movimentações e conflitos dos dias que antecederam e sucederam o emblemático 9 de novembro. Muito bom e esclarecedor! Recomendo pra quem quiser entender melhor o que se passou na época, as razões que levaram à queda e o que aconteceu nos dias e meses seguintes.


Esse walking tour foi realizado em parceria com a empresa Vive Berlin. 
Agradeço à Visit Berlin pela oportunidade! 




Para saber mais sobre os tours oferecidos pela Vive Berlin, além de preços, disponibilidade e também para fazer reservas, acesse: www.viveberlin.de






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2 comentários :

  1. Juliana Castro28.3.17

    Oi Renata! Tudo bem?
    Adorooo seu blog! Ano passado fui pra Colômbia e peguei dicas preciosas aqui!
    Sou amiga da Lili (Eliana, bióloga tb). Ela que me falou de vc!
    Adorei essa dica do tour em Berlim.
    Estou indo com minha mãe no próximo mês e gostaria de entender melhor como funciona.
    O tour é pago? Não vi preço no site.
    Como vc fez?
    Brigadinha!
    Abraço e parabéns pelo blog :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ei Juliana, tudo bem?
      Que legal! Obrigada! :)
      Então, esse tour é pago sim! Eu não paguei porque foi uma parceria do blog (sinalizei isso no final do post). Eu gostei tanto que até cheguei a olhar pra fazer outro tour, mas eles não tinham mais disponibilidade nas datas que eu estaria lá. Cheguei a olhar preços, mas eu já não me lembro mais. Mas era um valor bem acessível! Principalmente se você levar em consideração que os tours são particulares, no caso iria só você e sua mãe e o melhor, tudo em português. Eu fiz com a Luise que é uma fofa, entende muito de história e fala português praticamente sem sotaques. Dá uma olhadinha no site deles (tem link no final do post) e entra em contato pra fazer um orçamento. Lá no site você vai ver outras opções de tours além desse que eu fiz também!
      Boa viagem!
      Bjos pra vc, pra Lili e pra Luise (caso faça o tour com ela rs)

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